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Ano XII - Nº 168
1ª quinzena agosto 2004

6% nem pensar


Representantes dos bancários negociam com os representantes dos banqueiros (de costas)

Chegou a hora de o bancário arregaçar as mangas e intensificar a mobilização da campanha salarial unificada. Essa é a única forma de forçar os banqueiros a tratar as negociações com seriedade.
O descaso dos bancos ficou patente quando apresentaram, na última terça, dia 10, a proposta de 6% de reajuste salarial – com o mesmo percentual aplicado nos tíquetes, auxílio-creche entre outras conquistas – e na Participação nos Lucros e Resultados de 80% do salário + R$ 690, limitada a R$ 4.894,00.
Ou seja, mesmo com os altíssimos lucros que vêm obtendo – no primeiro semestre deste ano o Bradesco lucrou R$1,25 bi e o Itaú R$1,825 bi – os bancos insistem em não querer valorizar seus funcionários. “Estamos rejeitando essa proposta que está muito aquém daquilo que os bancários merecem e do que os bancos podem pagar”, afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
“Antes desta negociação já vínhamos advertindo que não faríamos acordo se não houvesse aumento real. Agora, ou os bancos mudam sua postura ou a categoria irá deflagrar greve a partir de setembro”.

Mobilização por proposta mais justa

Os bancários realizaram manifestações em todo país após o fim da quarta rodada de negociações, onde os banqueiros ofereceram míseros 6% de reajuste.
A categoria reafirmou a reivindicação de reajuste de 25%, protestando e reforçando outros pontos da campanha salarial, como melhorias nas condições de trabalho, segurança, saúde, PLR mais justa, garantia do emprego e redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário.
A provocação dos patrões reforçou a certeza dos bancários de que é preciso intensificar a mobilização para conseguir avanço na pauta de reivindicação, entregue em junho.
Está claro para a categoria que as mobilizações para pressionar os banqueiros a atender as reivindicações da categoria devem continuar.
Todos os dados sobre o crescimento da economia e a lucratividade dos bancos comprovam a possibilidade dos bancos oferecerem uma proposta melhor.
O Sindicato dos Bancários de Ilhéus e Região faz coro com as demais entidades do País para unir ainda mais a categoria, e ampliar a luta contra os abusos dos banqueiros.
Uma coisa é certa, é forte o indicativo de greve em setembro.

 
Bradesco, o exterminador de banebianos
Circula entre a média administração do Bradesco a funesta notícia: o banco pretende despedir todos os ex-funcionários do Baneb até o final do corrente ano.
O Bradesco despediu nos últimos cinco anos 1.100 dos 2.800 ex-empregados do saudoso banco baiano e, segundo fontes oficiosas, a pretensão é consumar o fim dos ex-banebianos na empresa o mais rápido possível.
Esta informação, apesar de ser um boato, converge com a denúncia feita no início do ano pela CNB/CUT, de que o banco tem o objetivo de despedir esse ano doze mil bancários.
Essa é a política nefasta dos banqueiros para com os bancários: milhões e milhões de lucro (só no primeiro semestre deste ano o Bradesco teve lucro de 1,25 bilhão) e redução drástica dos postos de trabalho (entre 1985 e 1986 a categoria bancária contava com aproximadamente 1 milhão de trabalhadores, hoje são menos que quatrocentos mil).
Esse também é o resultado da política de privatização tão decantada por FHC/ACM/Paulo Souto e os grandes empresários. (SEEB/VC).
 
BB assina pré-acordo e bancários vão consolidando a unificação
A Campanha Salarial ainda está se desenrolando, mas os bancários já obtiveram uma importante vitória. Na manhã desta sexta-feira, dia 6, o Banco do Brasil e a Caixa assinaram um pré-acordo em que se comprometem a seguir, pela primeira vez, a Convenção Coletiva dos Bancários que for assinada com a Fenaban. "Foi um passo decisivo em direção à unificação da categoria bancária. Nosso objetivo é construir um Contrato Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro até o final de 2006 e a assinatura do pré-acordo nos coloca nesta direção", destacou Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco Brasil.
O representante da Federação da Bahia e Sergipe na Comissão de Empresa, Olivan de Souza Faustino, ressaltou que hoje foi um dia histórico para os bancários. "Nós estamos saindo de um círculo vicioso para entrar em um círculo virtuoso, já que é o primeiro passo para retomar a força de mobilização e reivindicação", disse.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Bancários da CUT, Vagner Freitas, a assinatura do pré-acordo muda o nível da Campanha Salarial. "A partir de agora, nosso exército não é mais de 250 mil, é de 400 mil bancários. Esse será o diferencial para essa campanha salarial", frisou.
Até mesmo os representantes do banco destacaram a importância do pré-acordo. O gerente de Relações do Trabalho do BB, Joel Bueno, enfatizou que o pré-acordo "não está trazendo a solução de todos os problemas, mas dando um grande passo nesse sentido". Já o secretário Executivo do Ministério do Trabalho, Alencar Ferreira, que também participou do ato representando o ministro Ricardo Berzoini, lembrou que na posse da diretoria do Sindicato de Brasília, em julho, tinha lançado o desafio da realização do pré-acordo. "Agora o desafio é outro: a construção do Contrato Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro até o final do governo Lula".
Joel Bueno, destacou as mudanças na postura do banco assim que assumiu a nova diretoria. Entre elas está o formato do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), segundo ele, hoje mais ampla, mais democrática e linear. "A política de PLR praticada no ano passado, e pela primeira vez negociada com o funcionalismo, foi mais vantajosa para os bancários do BB. Este ano a intenção é caminhar no mesmo sentido", garantiu.
 
BNB fora do compasso
Antecipação da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), além da conclusão do novo PCS e dos cálculos do passivo trabalhista foram alguns dos itens cobrados pela Comissão Nacional dos Funcionários, na reunião de semana passada com a diretoria do BNB.
O banco alegou que não está autorizado a antecipar a PLR por orientação do DEST, orgão do Ministério da Fazenda. No entanto, assumiu o compromisso de contatar o governo a fim de obter a autorização.
Sobre o PCS, a instituição garantiu a finalização dos trabalhos até o final de agosto. Em relação ao passivo trabalhista, o BNB informou que os cálculos já estão na fase final e que até o fim deste mês os trabalhos serão concluídos.
Na reunião, os funcionários entregaram ao banco o pré-acordo, por meio do qual a instituição se comprometeria a cumprir a Convenção Coletiva. A superintendente de Pessoal do BNB, Zilana Melo, recebeu o documento e agendou resposta para o dia 20.
É estranho que a instituição, banco oficial como o BB e a Caixa, não tenha participado do ato de assinatura do pré-acordo. Nova negociação foi marcada para o dia 27, em Fortaleza (CE).
 
Paralisação no BC continua

A greve no Banco Central continua por tempo indeterminado. Os funcionários paralisaram as atividades, segunda-feira, em todo o país, após rejeitar a proposta de aumentos escalonados apresentada pelo governo.
A diretoria do BC propôs que um quinto do valor do reajuste seja concedido sobre o salário de outubro, um quinto a partir do salário de janeiro e mais um quinto em agosto de 2005. Por fim, os dois quintos restantes seriam concedidos sobre os vencimentos de outubro do ano que vem.
Os bancários do BC reivindicam reajuste salarial de 22%. Segundo o sindicato, os 4.600 funcionários devem participar do movimento em todo o país, apenas no Ceará e no Pará não houve adesão ao movimento. Em Salvador, 70% da categoria está paralisada.
Estão parados os serviços de registros e homologações de títulos públicos e de distribuição de notas e moedas.

 
Curtas

Aprendizes na CEF
(Brasília) Um aditivo ao Termo de Compromisso assinado entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Ministério Público do Trabalho em fevereiro de 2003 foi firmado na quarta-feira (11/08) no Palácio do Itamaraty, com a presença do Ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, a Procuradora-Geral do Trabalho, Sandra Lia Simón, e o presidente da CEF, Jorger Mattoso. O aditivo permitirá a redução da jornada dos adolescentes aprendizes de 5 para 4 horas diárias.
O Termo de Compromisso foi assinado para garantir a aplicação da Lei 10.097/03, que previu a contratação de adolescentes aprendizes por instituições de todo o país. A prática, entretanto, demonstrou que a jornada de 5 horas impedia os aprendizes de freqüentar o ensino diurno. A constatação foi debatida pelos Procuradores do Trabalho no início de 2004, na reunião da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes, em Brasília.

Classificação de agências do Banco do Brasil
Em mais uma atitude controversa, o Banco do Brasil, lançou, no mês passado, em plena campanha salarial o novo modelo de Classificação das Agências.
Com base na produtividade, o modelo proposto causa tensão nos funcionários que são pressionados a cumprir metas e assediados moralmente.
Pela determinação do BB, o porte das agências seria determinado por critérios como aplicação, captação, receitas com tarifas e serviços, contas especiais e despesas administrativas, ignorando pagamento de benefícios aos aposentados, emissões de CPF, dentre outros serviços.
A Comissão de Empresa solicitou a suspensão do plano e abertura de negociações para resolver o problema.

 
Muito lucro e só exploração
Mesmo com a perspectiva de mais um ano consecutivo de crescimento dos lucros do setor financeiro – único que ampliou seus ganhos mesmo nos piores períodos de crise – o setor patronal insiste fazer uma proposta abaixo das expectativas da categoria bancária.
E mesmo que os balanços já divulgados de bancos como o Bradesco e o Itaú projetem que o aumento deste ano ficará em torno de 20%, os bancos também se recusam a aumentar a participação nos lucros e resultados (PLR) de seus trabalhadores. A proposta apresentada foi de manutenção dos moldes do pagamento feito no ano passado: 80% do salário mais R$ 690 (apenas 6% de reajuste sobre o valor fixo de R$ 650 pago em 2003).
“A maneira como esses empresários perseguem o lucro, sem dar nenhuma contrapartida à sociedade, tem de mudar. Esta proposta de reajuste e de PLR é uma provocação que não ficará sem resposta dos bancários”, alerta o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. Luiz Cláudio lembra que o salário do bancário, maior responsável pelos lucros bilionários dos bancos em atuação no país, é pago pelo cliente, que arca com a média de 97% do total das folhas de pagamento das empresas, por meio das tarifas que paga pelos serviços. “É mais um dado que aumenta a necessidade de a categoria se mobilizar para exigir uma proposta que represente ganho real de salário e distribuição justa dos lucros”, completa.
Queremos mais – “A hora de ampliar os direitos da categoria bancária é agora”, lembra Luiz Cláudio. O aumento real nos salários deve vir acompanhado do respectivo repasse às demais verbas, como tíquetes, auxílio creche-babá, entre outros.
Os bancários também reivindicam uma PLR que distribua os bilionários lucros das empresas com justiça: um salário mais o valor fixo de R$1.200. As reivindicações da campanha deste ano também incluem auxílio-educação, o pagamento de 14º salário e de um vale-alimentação extra no fim do ano (13º em tíquete).
“Esse é o ano de agregarmos novas conquistas à convenção coletiva da categoria”, adverte o presidente do Sindicato.
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