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Ano XII - Nº 166
1ª quinzena julho 2004

Banqueiros alegam dificuldade para dar aumento real

Bastaram duas rodadas de negociações para os bancários constatarem a falta de vontade dos banqueiros em conceder aumento real de salários. No último encontro, realizado na terça-feira passada, dia 6, os representantes dos bancos alegaram dificuldade para conceder o reajuste reivindicado, porque isto gera aumento nos custos fixos.
Para o secretário-geral da CNB/CUT, Carlos Cordeiro, que participou da negociação, a declaração causa espanto. “Se colocarmos a alegada dificuldade em conceder aumento real de salários diante dos lucros exorbitantes que os bancos apresentam e que os bancários e a sociedade já conhecem, esta argumentação se revela inaceitável”, constata.
Sobre as demissões, os bancários cobraram dos patrões a responsabilidade social tão propagada, propondo a garantia de emprego e ratificação da Convenção 158, que trata das demissões imotivadas. Mas a contraproposta dos banqueiros é a regulamentação das demissões, reafirmando que a maior parte das dispensas, cerca de 80%, ocorre a pedido dos bancários. Os representantes da Executiva contestaram a declaração, que vem sendo desmascarada pelo movimento sindical, que homologa maior parte das rescisões e já provou que as demissões são feitas unilateralmente pelas empresas. Na avaliação de Carlos Cordeiro, além de não apresentarem proposta, os banqueiros, que pregam responsabilidade social, são socialmente irresponsáveis dentro da sua própria casa ao não concordarem com o aumento real e proporem a regulamentação das demissões.
Para mostrar a força dos bancários diante dos patrões e conseguir uma Convenção Coletiva que recomponha o poder de compra dos trabalhadores, a Executiva Nacional dos Bancários reforça a importância da implementação do calendário aprovado no seminário de preparação das negociações, que prevê atividades para todo mês de julho. A Executiva avaliou que a postura dos banqueiros foi um mal começo, negando o pretenso interesse de buscar um acordo rápido. “Neste passo, a luta é que faz a diferença”, destacou Cordeiro. Os temas econômicos e emprego, assim como jornada de trabalho e cláusulas sindicais e sociais, voltam a ser discutidos no próximo dia 20, quando ocorre a próxima rodada, às 15h.

Caixa Rápido

Projeto pela paz
O 10 de dezembro foi instituído como o Dia da Cultura da Paz com Justiça Social. O projeto de lei, de autoria do líder da bancada de oposição da Assembléia Legislativa, deputado Álvaro Gomes (PCdoB), foi aprovado no dia 06/07. A data foi escolhida por ser o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Após a sanção do governador à proposição, o Estado fica comprometido a realizar, na referida data, atividades artísticas, culturais, desportivas e religiosas, com o objetivo de divulgar a cultura da paz.
Deve indicar ainda, uma comissão formada por membros dos três poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, ligados a educação, cultura, esporte e lazer, para coordenar os eventos.

Irregularidades na CEF
O Tribunal de Contas da União constatou irregularidades em contratos da Caixa Econômica Federal, que somam R$ 1,3 bilhões. De acordo com o divulgado na grande imprensa, as contas analisadas são das gestões de Sérgio Cutolo, Emílio Carrazai e Valdery de Albuquerque.
A expectativa dos empregados da Caixa é de que a administração atual apure adequadamente as denúncias, puna os culpados e dê uma satisfação para a sociedade.

COE Itaú debate previdência com Globalprev
A CNB/CUT e a Comissão de Organização dos Empregados do Itaú estiveram em reunião com a assessoria da Globalprev, no início de julho, em São Paulo. A consultoria prestou esclarecimentos sobre a Previdência Complementar no Brasil e também sobre aspectos atuariais do PAC. As eleições na Fundação Itaubanco também foram alvo de debate por parte dos representantes dos bancários.
De acordo com o coordenador da COE Itaú, Wanderley Crivellari, a meta é encaminhar ao banco a visão do funcionalismo para a elaboração das regras para a eleição.
Uma importante conquista da Comissão foi a criação do Comitê de Acompanhamento do Plano de Saúde (Capes), que conta com representantes dos funcionários. (CNB/CUT)

 
Plano Real: Banqueiros cada vez mais ricos
Só os banqueiros ganharam na primeira década do Plano Real. De 1994 a 2004, os 10 maiores bancos do país tiveram um aumento nos lucros de 1.039%, muito superior aos 135% alcançados pelas empresas do setor produtivo.
Juntos, o Itaú, Bradesco, Santander-Banespa e Unibanco lucraram R$ 51,3 bilhões, quase 40% dos R$ 131 bilhões obtidos pelas 10 maiores empresas. No mesmo período, a oferta de trabalho foi reduzida e a renda das famílias encolheu.
Do total de R$ 247,5 bilhões acumulados pelas empresas na década do real, o setor financeiro abocanhou quase R$ 40 bilhões, ou seja, 16% do montante.
Em segundo lugar está o setor de telecomunicações, R$ 34,2 bi, com 13,8%, e em terceiro, o de mineração, R$ 21,6 bi, ou seja, 8,7% de todo o lucro empresarial.
Os bancários, ao contrário, sofreram com o neoliberalismo dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso.
Além da perda da renda média, sentida por todos os trabalhadores brasileiros, a categoria foi drasticamente reduzida com a política de demissões.
Os funcionários, que ficaram nas agências, sofrem com pressões para vender produtos e com o acúmulo de funções.
 
Calmon de Sá é punido
A Comissão de Valores Mobiliários proibiu o ex-banqueiro, Ângelo Calmon de Sá de exercer qualquer cargo na administração de uma empresa brasileira, nos próximos 20 anos.
O dono do antigo Econômico foi condenado por abuso de poder contra os acionistas minoritários e elaboração de balanços financeiros que esconderam, por muito tempo, a eminente falência do banco.
A decisão reacende a esperança dos bancários de que Ângelo Calmon de Sá seja punido. Porém, a penalidade ainda é muito branda diante do mal causado pela empresa aos trabalhadores.
 
Práticas anti-sindicais do ABN no Brasil são denunciadas na Holanda
(São Paulo) Diante da postura que o Banco ABN/Real vem tendo nos últimos meses, principalmente após a aquisição do Sudameris, a CNB, com intermediação da Secretaria de Relações Internacionais da CUT, encaminhou denúncia à central sindical holandesa FNV para que, junto à matriz do ABN, buscasse ampliar a ação sindical no sentido de barrar a atuação nefasta do banco no Brasil.
O secretário de Organização da CNB/CUT, Miguel Pereira, ressalta a importância da solidariedade internacional dos trabalhadores e que a atuação da FNV será importante para coibir os abusos do ABN, que demitiu cerca de 1.500 bancários somente no final de 2003 e início de 2004.
 
Neruda: cem anos de poesia
(São Paulo) Em 12 de julho de 2004, se completaram 100 anos do nascimento do Prêmio Nobel do Chile, Pablo Neruda, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Nasceu em 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Prêmio Nobel de Literatura em 1971, sua poesia transpira em sua primeira fase o romantismo extremo de Walt Whitman.
Depois vieram a experiência surrealista, influência de André Breton, e uma fase curta bastante hermética.
Marxista e revolucionário, cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários. Diplomata desde cedo, foi cônsul na Espanha de 1934 a 1938 e no México.
Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito entre outras as seguintes obras: "La canción de la fiesta", "Crepusculario", "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", "Tentativa del hombre infinito", "Residencia en la tierra" e "Oda a Stalingrado".
Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende. Participa da campanha e, eleito Allende, é nomeado embaixador do Chile na França. Outras obras do autor: "Canto General", "Odas elementales", "La uvas y el viento", "Nuevas odas elementales", "Libro tercero de las odas", "Geografía Infructuosa" e "Memorias (Confieso que he vivido Memorias)".
Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.
 
Conquista do sindicato: Saúde Caixa é assinado
(Brasília) A direção da Caixa Econômica Federal e a Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) assinam em 13 de julho, em Brasília, às 16 horas, o aditivo ao acordo coletivo de 2003 do Saúde Caixa, cujas propostas foram debatidas no GT Saúde e aprovadas pela empresa. Com a assinatura do aditivo, o Saúde Caixa será implementado a partir de 1º de julho. Pelas novas regras, o novo plano será custeado por um fundo composto pela contribuição da Caixa (70%) e dos empregados (30%). A mensalidade será de 2% da remuneração-base dos usuários, incluindo o complemento temporário variável de ajuste ao mercado (CTVA). Será criado o Conselho de Usuários, composto por cinco representantes indicados pela Caixa e cinco eleitos pela representação dos empregados. Esse conselho ficará responsável pela gestão do Saúde Caixa.
 
Aumento real é a tônica da Campanha Salarial deste ano
Nos últimos dez anos, os bancários contribuíram para engordar o lucro dos banqueiros em 1.039%. No mesmo período, o reajuste concedido pelos patrões aos trabalhadores não passou dos 155,23%, quase sete vezes menos do que lucraram.
Pior ainda foi a situação dos funcionários dos bancos públicos. A CEF, por exemplo, concedeu um reajuste de somente 59,97% neste mesmo período. Durante os oito anos de governo FHC, o aumento foi de praticamente zero para os empregados dos bancos públicos federais. Para reverter esta concentração de renda que a cada dia aumenta no Brasil, a tônica da Campanha Salarial Unificada dos Bancários para este ano é o aumento real de salário. Aliado à unificação da categoria bancária, são os principais objetivos para serem conquistados na Convenção Coletiva 2004.
“Após mais um ano de recordes na lucratividade, os bancários não vão aceitar um acordo rebaixado e estamos exigindo um reajuste que recomponha o poder de compra dos trabalhadores do setor que mais lucra no Brasil”, destacou Vagner Freitas, presidente da CNB/CUT.
Durante a VI Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, realizada no início de junho, os mais de 1100 bancários que participaram do evento aprovaram um índice de reajuste de 25%. Este percentual é composto por 6,22% de reposição da inflação projetada pelo ICV do Dieese, entre 1º de setembro de 2003 e 31 de agosto de 2004, e mais o aumento real de salário de 17,68%. Vagner Freitas ressaltou que os bancários estão dispostos a partir para a greve, caso os banqueiros queiram rebaixar a Convenção Coletiva. “Somente no ano passado, os onze maiores bancos do Brasil lucraram aproximadamente R$ 14 bilhões. Só em 2003 o patrimônio líquido cresceu em torno de 26%, um percentual maior que o índice que estamos pedindo de reajuste”, detalhou Vagner.
O secretário de Finanças da CNB/CUT, Paulo Stekel, destaca que enquanto os banqueiros multiplicam seus ganhos, os bancários se encontram em situação cada vez pior no trabalho. “O piso salarial da categoria, por exemplo, precisa ser valorizado. A nossa proposta é que o piso seja o equivalente ao salário mínimo do Dieese, de R$ 1.522,01”, disse Stekel. Diante dos altos lucros dos banqueiros, os bancários também querem uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) maior. “A proposta dos trabalhadores é de um salário, mais R$ 1.200”, explicou o secretário de Organização da CNB, Miguel Pereira.
 
Campanha unificada é fundametal
Outra reivindicação fundamental para os bancários nesta Campanha Salarial é a unificação da categoria. Nos oito anos de chumbo da era Fernando Henrique Cardoso, os funcionários dos bancos públicos praticamente não tiveram reajuste, com as negociações em separado.
No ano passado, os bancários tiveram de partir para a greve para conquistar os mesmos reajustes.
“Este ano queremos incorporar a conquista definitivamente, para que toda negociação salarial se dê, exclusivamente, na mesa da Fenaban”, explicou Vagner Freitas, presidente da CNB/CUT.
A decisão da unidade foi definida na Conferência Nacional e confirmada nos congressos específicos dos funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Basa e do BNB. As demandas específicas de cada banco serão debatidas nas negociações permanentes, que ocorrem concomitantemente à mesa única da Fenaban.
Confira as reivindicações específicas e notícias da Campanha no site www.seebilheus.com.br
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