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Ano XII - Nº 167
2ª quinzena julho 2004 |
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Começa a pressão |
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Milhares de bancários saíram às ruas em todo o Brasil, nos dias 16 e 30, e se juntaram a outros milhares de trabalhadores para pedir mudanças na política econômica do governo, no Dia Nacional de Lutas e Mobilizações. Em meio a mais uma campanha salarial, os bancários protestaram com muita criatividade e foram destaque nos principais órgãos de imprensa do país. Quatro dias depois, a CNB e a Executiva Nacional dos Bancários sentaram à mesa da Fenaban para mais uma rodada de negociações. Os banqueiros alegam dificuldades para dar aumento real de salário, justamente eles que foram um dos principais alvos das manifestações do dia 16 e do dia 30. Confira tudo isto nas próximas páginas. |
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Bancários fazem aquecimento da
Campanha Salarial |
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(São Paulo) Os bancários do centro novo de São Paulo, formada por 28 agências bancárias, mais a Nova Central do Bradesco, realizaram na manhã de quarta-feira, 28, uma assembléia na Praça da República para “esquentar” a campanha salarial. A região reúne dois mil trabalhadores e os bancários deram o recado: estão preparando a mobilização pelo aumento real. Atividade terminou por volta das 11h.
Os bancários cobram que a Fenaban apresente proposta nos próximos dias. Até o momento já ocorreram três rodadas de negociação, sem qualquer avanço. O secretário-geral da CNB/CUT, Carlos Cordeiro, destacou que a mobilização dos bancários será fundamental e cobrou maior responsabilidade social dos bancos, que lucram muito, mas não dão a contrapartida social. “Os bancos faturam alto todos os anos, mas cobram da população juros altíssimos, não dão atendimento adequado e não valorizam seus funcionários”, acusou.
Cordeiro ressaltou que “a maior valorização que os bancários podem ter é o aumento real de salários e disso eles não abrem mão”. Ele lembrou que hoje também ocorreram manifestações em Curitiba. Cerca de 400 bancários das agências do Unibanco, Caixa Econômica, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Safra e HSBC, localizadas na Rua Mal. Deodoro, paralisaram suas atividades até às 11 horas.
Negociações e mobilização – Já foram realizadas três rodadas de negociação, que giraram basicamente em torno de temas sociais e sindicais. Ainda não há data para a próxima reunião, mas a previsão é de que ela ocorra já na primeira semana de agosto.
Só a união dos trabalhadores pode reverter a situação e quebrar a intransigência dos patrões. Na página quatro você pode rever os pontos básicos da pauta de reivindicações.
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| Bancários
querem melhorar
o atendimento |
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Depois de esperar por muito tempo na fila, os clientes geralmente reclamam com os bancários sobre o mau atendimento. Reclamam que pagam muitas tarifas para receber um péssimo atendimento. Embora a culpa não seja dos bancários - que fazem horas extras para compensar a redução de mais de 30% da sua categoria nos últimos dez anos - são eles que ouvem os lamentos dos usuários.
Preocupados com os clientes, os bancários querem mudanças para melhorar o atendimento. A ampliação do horário de funcionamento dos bancos, por exemplo, é uma reivindicação da categoria há mais 10 anos. Os bancários defendem que os bancos fiquem abertos à população das 9h até às 17h e, para que não exista filas nas agências, querem dois turnos de trabalho para os bancários sem redução de salário.
“Somente com a redução da jornada para cinco horas e a criação de dois turnos de trabalho para os bancários, combinada com a ampliação do horário de atendimento, seria possível criar 160 mil novos postos de trabalho no setor financeiro. Além de melhorar e muito o atendimento”, destacou Vinícius Assumpção, presidente do Sindicato do Rio de Janeiro. |
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| Bancários pedem mudanças na
política econômica e aumento real |
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Em campanha salarial, os bancários participaram em peso das atividades programadas pela CUT no dia 16/07 - Dia Nacional de Manifestação e Luta por mudanças na política econômica. A reivindicação na ordem do dia da sociedade faz também parte da campanha salarial da categoria bancária, que quer aumento real de salário (25% - composto por 6,22% da reposição da inflação e 17,68% de aumento real), ampliação do emprego com diminuição da jornada e redução da Selic, assim como dos juros e tarifas bancárias. A Confederação Nacional dos Bancários, que representa uma categoria de 350 mil, esteve engajada com bancários nas manifestações com as CUTs estaduais.
O principal eixo de luta foi a retomada do crescimento, com geração de emprego e distribuição de renda, para se enfrentar uma conjuntura que apresenta manutenção das elevadas taxas de desemprego e a diminuição do poder aquisitivo dos salários. “Os bancários têm demonstrado sua disposição de luta para desenvolver uma forte campanha salarial. A tendência é que a mobilização cresça ainda mais até que os banqueiros atendam as nossas reivindicações”, avisa o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino.
Manifestações ocorreram de Norte a Sul do país. Abaixo, uma pequena mostra da disposição dos bancários de lutar por mudanças e por suas reivindicações. |
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| BC deve voltar sua atuação para emprego e renda, além da inflação |
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Em declaração recente ao jornal americano Financial Times, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou que “o BC goza de autonomia desde o primeiro dia de posse”. Ele declarou também que o resultado dessa autonomia é positivo, já que a inflação baixou de 17% para 5%. Na avaliação da diretoria da Confederação Nacional dos Bancários, o Banco Central deve voltar sua atuação não só para o controle da inflação, mas também para a geração de emprego e renda.
Para o secretário geral da CNB/CUT, Carlos Cordeiro, a política atual do BC gera um custo social imenso para os trabalhadores e continua a favorecer o sistema financeiro, que é o mais lucrativo no Brasil há mais de 10 anos. “Os trabalhadores estão pagando um custo muito alto pelo cumprimento das metas de inflação”. Ele citou como exemplo as fusões e incorporações que ocorreram nos últimos anos no setor financeiro. “Milhares de bancários perderam seus empregos sem que o Banco Central agisse de forma a dar garantias mínimas aos trabalhadores nestes casos.”, contesta Cordeiro. Ele defendeu ainda que o CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica, atue também nestes casos para evitar maior concentração no setor financeiro e, conseqüentemente, a redução dos postos de trabalho na área.
O FED, Banco Central norte-americano, tem como metas o controle da inflação e a busca do pleno emprego. No Brasil, os representantes da sociedade, em especial os trabalhadores, precisam integrar o Conselho Monetário Nacional para intervir nos rumos da economia, fazendo com que a política econômica esteja voltada para o crescimento econômico com geração de emprego e renda. |
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| Caixa Rápido |
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Segurança bancária
A segurança nas agências e postos de atendimento tem sido uma das principais preocupações dos bancários. A CNB/CUT já criou uma Comissão de Segurança Bancária, que realizou dois Seminários Nacionais e é a responsável pelas negociações sobre o tema com a Fenaban.
Os bancários cobraram dos bancos maior empenho em relação à segurança, principalmente no setor de auto-atendimento.
Medidas mínimas
Na última rodada denegociações, no início do mês passado, os bancários reivindicaram que as agências e os postos de serviço tenham portas giratórias de segurança com detectores de metais na entrada principal; câmaras de vídeo monitoradas externamente; vidros blindados nas portas e fachadas externas e, no mínimo, dois vigilantes por unidade que passem periodicamente por cursos de aperfeiçoamento e avaliações psicológicas. Em caso de assalto, reivindicam que a unidade fique fechada no dia da ocorrência e que sua reabertura fique condicionada à vistoria da Polícia Federal.
Auto-atendimento
De acordo com o secretário-geral da CNB/CUT, Carlos Cordeiro, muitos bancos estão descumprindo a lei 7.102, ao esquecerem do auto-atendimento na hora de elaborar seus planos de segurança. “Devido a esta fragilidade em alguns bancos já ocorreram até mortes. Clientes, bancários e vigilantes ficam expostos, pois qualquer pessoa tem acesso ao auto-atendimento”, denunciou.
Precaução e apoio
A categoria também não aceita que os bancários guardem as chaves dos cofres dos bancos e nem que portem junto ao corpo qualquer alarme ou equipamento de segurança da empresa. Além da emissão do Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) e da garantia de emprego para os bancários seqüestrados e vítimas de assaltos, a categoria reivindica segurança e tratamento psicológico, inclusive para os familiares envolvidos em seqüestros e extorsões.
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| Pontos básicos da pauta de reivindicações |
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Reajuste de 25% (6,22% da inflação e 17,68% de aumento real)
• Piso de 1.522,01 (equivalente ao salário mínimo do Dieese)
• PLR (um salário mais R$ 1.200)
• Auxílio-refeição R$ 14,58
• Cesta-alimentação R$ 250
• Auxílio-creche/babá R$ 179,70
• Ajuda para deslocamento noturno R$ 50,31
• Cesta natalina R$ 250
• 14º salário
• Fim da pressão por metas
• Estabilidade p/vítimas de seqüestro
• Fim da dispensa imotivada
• Fim da terceirização
• Auxílio-educação. |
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