O maior banco privado do país mostra sua face mais obscura aos empregados. É o que se pode notar analisando o balanço da instituição após a aquisição de bancos como o BCN, Baneb, Boavista, Mercantil de São Paulo, BBV, BEM e a financeira Zogbi. Foram extintos 1.770 postos de trabalho entre dezembro de 2003 e março de 2004 (veja tabela ao lado).
Os alvos não são só os bancários oriundos de outras instituições. Funcionários com mais de 20 anos de casa estão sendo demitidos. As demissões discriminatórias estão ocorrendo principalmente com os funcionários que tem mais de 50 anos e estão próximos da aposentadoria. O Bradesco possui apenas 2% do quadro com idade acima de 50 anos.
Estima-se que o número de demitidos da Organização Bradesco seja ainda maior do que mostra o balanço. A sombra da maldade se torna ainda mais larga se analisarmos quanto do lucro da instituição é destinado ao pagamento de seus funcionários. Pela primeira vez, o valor arrecadado com a receita de prestação de serviços ultrapassou os gastos com pessoal. De acordo com o balanço, esse percentual foi de 112,03%.
Como se isso não fosse o bastante, os gestores do Bradesco obrigam os funcionários a venderem 10 dias de férias. “Sinal de que faltam funcionários”, explica a diretora executiva do Sindicato de São Paulo e coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados do Bradesco, Juvândia Moreira Leite.
“Com um lucro de R$ 608,713 no 1º trimestre deste ano, o banco tem plenas condições de manter os empregos e de ampliar o quadro a fim de diminuir o intenso ritmo de trabalho que é imposto aos funcionários que trabalham hoje na Organização”, declara.
Pretexto para demitir
O que se espera é que o diretor executivo do Bradesco, Milton Matsumoto, cumpra sua palavra. Em negociação, no dia 4 de maio, com o presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas, e o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, João Vaccari Neto, o diretor Matsumoto afirmou que só seria demitido quem estivesse acomodado, tivesse cometido falhas administrativas ou o desempenho fosse avaliado como insatisfatório. No encontro, também reafirmou o que havia dito em encontro anterior, que “só seria demitido quem pedisse”. Ele também negou a ocorrência de um processo de demissões em massa.
Os critérios explicitados por Matsumoto nas reuniões para servirem de pretexto para as demissões não estão sendo obedecidos. A postura adotada pelo maior banco privado do país pode ser comprovada através dos dados apurados pelos Sindicatos dos Bancários. Os números a seguir são somente de demissões ocorridas fora dos padrões estabelecidos pelo Bradesco. Em São Paulo foram 106. Em Belo Horizonte, 19. Em Curitiba, 20. Os sindicatos estão enviando correspondência diretamente ao diretor executivo do Bradesco cobrando o cumprimento da palavra e também solicitando a devida reintegração desses empregados. Somente com a mobilização dos bancários esse processo poderá ser revertido. Participe das atividades propostas pelo seu sindicato! |