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Ano XII - Nº 172
1ª quinz. outubro 2004

Bancários voltam ao trabalho


Diretoria do Sindicato dos Bancários de Ilhéus recebe Interdito Proibitório de Oficial de Justiça.

Após 30 dias de muita luta, a grande maioria dos bancários, em Assembléia, decidiu suspender uma greve que foi de inteira responsabilidade dos bancos, pela sua intransigência em negociar um índice mais justo. Os trabalhadores do setor tentam um acordo coletivo de trabalho desde junho, quando a minuta de reivindicações foi entregue à Federação Nacional dos Bancos, mas as propostas apresentadas por eles até hoje são completamente insatisfatórias.
Os bancários voltam ao trabalho até o julgamento do dissídio pelo TST no dia 21. Os bancários repudiam a posição da CONTEC por entender que ela não representa a categoria.
É importante lembrar que o setor bancário é disparado o mais lucrativo da economia brasileira. Um comparativo entre os balanços financeiros dos 22 principais bancos no Brasil, feito entre o primeiro semestre de 2003 e o mesmo período de 2004, mostra que o lucro médio dos bancos subiu mais de 20%, passando de R$ 5,9 bilhões, para R$ 7,1 bilhões.
As reivindicações são justas e os bancos podem conceder. Além disso, a campanha dos bancários é também por mais empregos, por atendimento seguro e de melhor qualidade aos clientes.
A categoria bancária não pode ficar sem um reajuste digno. Bancários da rede privada se viram pressionados e muito a contra-gosto foram forçados a trabalhar, apesar de terem participado do movimento grevista e retornado antes da decisão do comando nacional, porém trabalhando insatisfeitos com a diretoria e os gerentes dos seus bancos e os bancários da rede pública também merecem respeito, pelo fato de estarem há 10 anos sem praticamente nenhuma melhora salarial. Evidenciamos a garra e a luta na participação diária dos diretores do sindicato, bancários da Caixa, Banco do Brasil e BNB, que suportaram as pressões, as queixas da população e os humores do clima, exercendo seu direito constitucional de greve, unindo forças com os demais companheiros em todo Brasil.
Valem mais as lágrimas por não ter vencido, do que a vergonha por não ter lutado! Continuamos na expectativa de que haja negociações para que o dissídio seja evitado. Na quarta (20), o sindicato volta a realizar assembléia e, caso não haja avanços até lá, os trabalhadores podem retomar a greve. Foi agendado, nacionalmente, um Dia Nacional de Luta para quinta (21), com paralisações e manifestações.

BNB oficializa proposta

Na tarde de quarta (13/10), em reunião com a Comissão Nacional dos Funcionários do BNB /Confederação Nacional dos Bancários (CNFBNB / CNB-CUT), o BNB formalizou uma proposta de acordo para solucionar o impasse nas negociações.
O banco oferece, além das cláusulas específicas:
Reajuste de 8,5%, aplicado a todas as verbas salariais;
acréscimo de R$ 30,00 fixos aos salários (Vencimento do Cargo) até R$ 1.500,00;
Auxílio-Creche – de R$ 143,76 para R$ 155,98;
Auxílio-Bolsa de Estudo para Filho Excepcional – de R$ 157,64 para R$ 171,04;
Auxílio-Cesta de Alimentação – de R$ 100,00 para R$ 162,75;
13º Auxílio-Cesta Alimentação, com antecipação para até 10 dias após a celebração do Acordo, no valor de R$ 162,75;
Auxílio-Refeição – de R$ 11,67 para R$ 12,66 por cartão;
Gratificação de Risco de Caixa – de R$ 300,00 para R$ 325,00;
Participação nos Lucros e Resultados (PLR): 40% do salário bruto pago em agosto, proporcionais aos dias trabalhados em 2004 e parcela fixa de R$ 352,50;
Saldo da PLR a ser pago em 2005: na forma da proposta da FENABAN, respeitado o limite de 1 (uma) folha salarial bruta, sem encargos, de dezembro/2004, para o pagamento completo da PLR.
A avaliação da CNFBNB/CNB-CUT é de que a proposta contém avanços em relação à primeira proposta feita pelo BNB.
(CNB/CUT e SEEB/BA)

 
Na garra
A disposição de luta dos bancários dos bancos privados foi comprovada durante a greve. Bancários de empresas como ABN Real, Itaú, HSBC, suportaram a pressão e o autoritarismo dos patrões o quanto puderam. Foram inúmeros os casos em que até a polícia, que deveria proteger os cidadãos da violência crescente, foi mandada para intimidar os trabalhadores, obrigando-os a não exercer seu direito constitucional de greve.
E esta força ainda é necessária para que a campanha salarial chegue a um desfecho negociado, da forma que os bancários souberam construir em mais de 20 anos de campanhas resolvidas sem a intervenção do Estado.
“É fundamental a presença dos trabalhadores de todos os bancos na assembléia (de 20 de outubro), em que pode ser dado um grande passo para chegarmos a um acordo coletivo que preserve as atuais conquistas da categoria e incorpore novos direitos”, completou Luiz Cláudio.
 
ABN promove demissões
O ABN Amro Bank anunciou uma onda de demissões pelo mundo. O banco holandês fará corte de pessoal para economizar 500 milhões de euros a partir de 2007.
No Brasil, o Real ainda não informou o número de demitidos. Na greve dos bancários, o banco mostrou uma postura arrogante, usando artifícios como interditos proibitórios vencidos e a força policial para tentar reabrir as agências.
No dia a dia, os funcionários são obrigados a cumprirem metas absurdas e submetidos a longas jornadas de trabalho. Com isso, aumenta o número de funcionários atingidos por doenças ocupacionais como as LER no banco. Com as demissões, certamente aumentarão a precarização do atendimento ao público e a pressão sobre os funcionários.
 
Omissão suspeita
Rogaciano Medeiros *
A greve dos bancários, que durou um mês, mobilizou todas as capitais, mas não se viu, por parte dos banqueiros, respeito pelos bancários e vontade de negociar. Muito pelo contrário, as atitudes foram sempre de radicalização, com repressão policial na porta dos bancos, interditos proibitórios, ameaças de corte de ponto, de demissões, entre outras. Os trabalhadores admitiram até reduzir o reajuste para 19%, mas os entendimentos continuaram inviabilizados.
Nada disso é novidade, pois sempre foi assim em campanha salarial. O que incomoda, e até dói, é o comportamento de completa omissão do governo Lula diante do episódio. Oriundo do movimento sindical, o presidente, que vive falando em inclusão e justiça social, não demonstra a menor sensibilidade com o drama vivido pelos bancários.
Qualquer pessoa medianamente informada sabe dos lucros bilionários dos bancos, exibidos em balanços e matérias amplamente publicados pela mídia nacional. Portanto, têm plenas condições de oferecer os 25% reivindicados ou chegar perto desse índice. Seria o mínimo que o setor disparadamente com a maior lucratividade da economia brasileira poderia fazer, em doses bem tímidas, pela desconcentração da renda e redistribuição da riqueza.
No entanto, assim como fazem os banqueiros, que tiveram a arrogância de rejeitar proposta de intermediação do TST (Tribunal Superior do Trabalho), o governo nem sequer ouviu os apelos feitos por lideranças da categoria a parlamentares da base governista e ministros, para que Lula recebesse em audiência uma comissão de bancários. Quer dizer, o presidente não quis nem conversar com os trabalhadores.
A greve começou a incomodar e a mídia, dependente do todo poderoso sistema financeiro, tentou passar para a opinião pública a idéia de que os culpados pelos transtornos amargados pela população eram os bancários, quando a verdade foi justamente o contrário.
Ninguém quis que Lula tomasse partido pelos trabalhadores. Apenas ouvisse o que eles tinham a dizer. Se o governo não quis intervir para que os banqueiros negociassem com seriedade, o que não seria nada de mais, pois o Estado existe para fazer justiça, que pelo menos desse o exemplo e começasse a corrigir as injustiças.
Até porque, se continuar a se omitir nas grandes questões envolvendo as lutas dos trabalhadores, como tem feito até agora, o presidente Lula coloca todo o governo sob suspeita.
* Rogaciano Medeiros é editor de O Bancário e vice-presidente da Regional Nordeste II da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
 
Bancários querem reabertura das negociações para os bancos privados

O Sindicato tem recebido ligações e mensagens de bancários com dúvidas sobre os rumos da campanha salarial para os trabalhadores dos bancos privados. A principal delas é se a sentença dos dissídios coletivos do Banco do Brasil e da Caixa Federal, marcado para o próximo dia 21, também valerá para estes trabalhadores.
A resposta é não. O ajuizamento do dissídio foi solicitado pela Contec, uma confederação que representa apenas 5% da categoria bancária e vale, exclusivamente, para aqueles bancos públicos.
Por isso, a Executiva Nacional dos Bancários, que representa a esmagadora maioria dos trabalhadores do sistema financeiro, quer a reabertura das negociações como forma de solucionar a campanha salarial sem colocar em risco e preservar os direitos já conquistados em anos de lutas e diálogos com o setor patronal.
A assembléia do próximo dia 20, quarta, será uma importante forma de reafirmar que os bancários não querem o dissídio coletivo. “Só com disposição de luta e organização, os bancários farão o setor patronal retomar o caminho do entendimento para a construção de uma nova proposta”, convoca o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. (Sindicato dos Bancários de São Paulo)

 
Executiva orienta suspensão da greve

(São Paulo) A Executiva Nacional dos Bancários, após reunião realizada na manhã de quinta-feira (14/10), em Brasília, orienta às assembléias que suspendam a greve. A Executiva também orienta a realização de novas assembléias no dia 20 para a realização de uma Dia Nacional de Lutas e paralisações no dia 21, caso os banqueiros descontem os dias parados. Até lá a Executiva vai buscar a Fenaban para reabertura de negociações, assim como as direções dos bancos públicos federais e federalizados para discutir temas específicos.
A decisão de suspender o movimento foi tomada levando-se em conta que importantes assembléias decidiram pelo retorno ao trabalho após a audiência de conciliação de quarta (13/10) ter sido frustrada. “A inoportuna conciliação criou falsas expectativas em setores da categoria que acabou sendo frustada. A Executiva já havia alertado que o TST não era a melhor solução para a greve”, afirmou Vagner Freitas, presidente da CNB e coordenador da Executiva.
Vagner informou que está solicitando a reabertura das negociações com a Fenaban e buscando as direções dos bancos públicos para debater temas específicos. “Vamos trabalhar com muita força pela reabertura das negociações e de imediato vamos solicitar a todos os bancos o não-desconto dos dias parados”, disse.
Ele reforçou que a solução para a greve deve ser negociada e valer para toda a categoria e não apenas para um segmento conforme querem os divisionistas e a ala radical. “Queremos uma solução antes do julgamento que pode ser ainda mais prejudicial à categoria”.

 
Bradesco e Itaú são líderes mundiais em dividendos
Bradesco e Itaú chegam a estar acima de bancos americanos e europeus, no que diz respeito a pagamento de dividendos a seus acionistas. Isso é o que mostra pesquisa realizada pela Economática, com mais de 80 instituições financeiras, inclusive dos Estados Unidos, Europa e América Latina, nos últimos oito anos.
Segundo o levantamento, nesse período o Bradesco foi o primeiro colocado, com pagamento de US$ 25,20 por ação preferencial. Mas, de acordo com o estatuto da instituição, o banco se propôs a distribuir aos acionistas 30% do lucro pela Lei das S/A o mínimo é 25%.
O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, relata que nos últimos anos o banco vem distribuindo muito mais do que isso: entre 52% e 57% do lucro. No primeiro semestre deste ano, pagou aos acionistas R$ 651 milhões - ou 52% do lucro do período, de R$ 1,2 bilhão.
O Itaú está na segunda colocação com US$ 20,52 distribuídos em dividendos nestes oito anos. No primeiro semestre, o banco pagou R$ 503 milhões aos acionistas - 28% do lucro (R$ 1,82 bilhão). Ambos os bancos afirmam que é política das empresas proporcionar ganhos aos seus acionistas.
O diretor de bancos privados da FETEC/CUT-SP, Pedro Sardi, lembra que, “ao mesmo tempo em que os bancos favorecerem seus acionistas, que em grande parte estão nas próprias direções das instituições, com dividendos que chegam a dobrar de tamanho, se negam a conceder aumento real de salário capaz de atender às necessidades da categoria e ainda limitam o repasse de participação nos lucros e resultados a um mínimo de 5% até o máximo de 15% de seus resultados”, afirma o dirigente. Fonte: Lucimar Cruz Beraldo – FETEC/CUT-SP, com informações da Gazeta Mercantil
 
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