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Ano XIV Nº 224 1ª quinzena de Maio 2007

Dia do Trabalho

Trabalhadores lutando por direitos. Foi assim que nasceu o 1º de maio, comemorado mundialmente. Há 111 anos, em Chicago, nos Estados Unidos, milhares paralisaram as fábricas e foram para as ruas exigir a redução da jornada de trabalho de 15 para oito horas diárias e por descanso semanal, iniciando ali uma greve geral. A repressão foi violenta: a polícia local assassinou quase 100 manifestantes. Como as famílias iam às manifestações unidas, os mortos incluíram mulheres e crianças. Os líderes do movimento foram condenados à morte.
Assim como acontece hoje, quando patrões lutam para mudar leis e roubar as conquistas trabalhistas e usam como justificativa para isso a desculpa de que elas prejudicam a economia, os donos das fábricas no século 19 diziam que, caso as reivindicações dos trabalhadores fossem atendidas, as empresas quebrariam.
Mas foi a atuação dos trabalhadores, a partir desse histórico 1º de maio, que garantiu, ao longo dos anos e com variações de país para país, o acesso a direitos como licença-maternidade, férias, 13º salário, descanso semanal remunerado, FGTS.
O bancário mais jovem, acostumado a receber vale-refeição, vale-alimentação, PLR, auxílio creche/babá, talvez não saiba, mas tudo isso foi conquistado na luta em parceria com o Sindicato. Nada veio de graça; se dependesse da boa vontade dos banqueiros, as jornadas ainda seriam de 15 horas, sete dias por semana, sem descanso.
Carteira assinada: A garantia dos direitos no Brasil passa necessariamente pelos empregos com carteira assinada. Desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, foram criados mais de 5 milhões de empregos formais no país. Em março de 2007, foram gerados 146 mil empregos formais, um recorde para o período. O acumulado de janeiro a março, 400 mil vagas, representa o melhor primeiro trimestre da série histórica, que começou em 1992.
“ Deve-se registrar também a abertura neste governo para o diálogo com os trabalhadores e o reconhecimento das centrais sindicais, o que permitiu atuação direta na formulação das políticas de aumento do salário mínimo e da correção da tabela do imposto de renda”, afirma o presidente do Sindicato Luiz Cláudio Marcolino.
Ele destaca, ainda, que essa abertura para a classe trabalhadora permitiu a negociação direta com a direção de bancos públicos como o BB e a CEF, resultando no pagamento de PLR para os bancários destas instituições.
“ Os bancários voltaram a se mobilizar e são exemplo de luta nesse 1º de maio. O aumento real é uma realidade para a categoria assim como o adicional de PLR, conquista agregada ao acordo no ano passado.”

   
Centrais discutem desenvolvimento e valorização do trabalho

(São Paulo) As sete principais centrais sindicais brasileiras, com apoio do Dieese, realizam nos próximos dias 3 e 4 o seminário nacional Desenvolvimento, Distribuição de Renda e Valorização do Trabalho.
Durante o seminário será lançada a Agenda dos Trabalhadores pelo Desenvolvimento, plataforma de propostas e reivindicações fruto de consenso entre as centrais.
QUALIDADE
Entre os debatedores convidados para o primeiro dia estão os professores Luiz Gonzaga Belluzzo (Unicamp), Márcio Pochmann (Cesit/Unicamp), Luiz Werneck Vianna (Iuperj), Emir Sader (Uerj), Azuete Fogaça (UFJF), José Antonio Martins (FGV-SP), Nilson Araújo (Instituto do Trabalho Dante Pelacani) e Sadi Dal Rosso (UNB). Também participa do debate Laís Abramo, diretora da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil.
Ao final das atividades previstas para o dia 3 será lançada a Agenda dos Trabalhadores pelo Desenvolvimento. Na manhã do dia 4, haverá a entrega e a defesa das propostas a entidades representativas do empresariado do setor produtivo. Roberto Ferraiuolo é o interlocutor indicado pela Fiesp.
À tarde, a partir das 13h, as centrais e suas lideranças presentes ao Seminário realizam plenária contra a emenda 3 e em defesa do veto presidencial, na Quadra dos Bancários.
O seminário é resultado da ação conjunta das centrais na III Marcha Nacional do Salário Mínimo, ocorrida em 6 de dezembro e que contou com forte participação de todas. Na ocasião, passou a ser discutida a possibilidade de realizar uma atividade que mostrasse à sociedade quais propostas econômicas, sociais e políticas são consenso entre as entidades e que, principalmente, acumulasse apoio para defendê-las Desde a Marcha, as centrais também se organizaram juntas na defesa ao veto presidencial à emenda 3.
JORNADA
Antes de ter início a organização do seminário, a CUT já havia decidido, durante o Planejamento Estratégico Situacional realizado em novembro, construir uma Jornada pelo Desenvolvimento com Distribuição de Renda e Valorização do Trabalho, para elaborar propostas e reafirmar as já existentes. A Jornada, tal como imaginada pela CUT, não está restrita a um seminário, e sim composta por uma série de atividades e mobilizações pelas regiões do país, como forma de disseminar suas idéias e concretizar o maior número possível de propostas. E a Jornada conduz as demais ações da CUT, como a Campanha Unificada dos Trabalhadores, e com elas se articula. Fonte: Contraf-CUT

 
Demissões são interrompidas no HSBC

São Paulo - A negociação entre os representantes dos bancários e a direção de Recursos Humanos do HSBC foi realizada no dia 24, resultou em conquistas para os funcionários.
O diretor de RH do banco, João Rached, anunciou o fim do processo de demissão, o aumento de mais de 20% na concessão de bolsa educacional para os bancários, mudanças no plano odontológico e a criação de ambulatórios médicos nos centros administrativos. O banco assumiu compromisso de não demitir os trabalhadores do centro de serviço do projeto RMO (Revisão do Modelo Operacional). Alem disso, apresentou os dados sobre avaliação dos funcionários afastados por doença que estava sendo questionado pelo Sindicato, pois as notas eram rebaixadas.
" A mobilização foi fundamental, principalmente na suspensão das demissões. Vamos intensificar a fiscalização a partir de agora para que os compromissos assumidos sejam todos cumpridos", afirma Paulo Rogério Alves, diretor do Sindicato e coordenador nacional da Comissão de Organização de Empregados. Fonte: Sindicato dos Bancários-SP

 
Não à emenda

Em atos convocados pela CUT e por outras centrais, centenas de milhares de trabalhadores de todo o país mobilizaram-se na terça-feira (23/4) em apoio à manutenção do veto presidencial à emenda 3. Trabalhadoras e trabalhadores dos mais diversos ramos e regiões saíram às ruas para dizer a não esta emenda golpista, que tenta acabar com os direitos trabalhistas como 13º salário, férias remuneradas, licenças maternidade e paternidade, FGTS, vale-transporte, vale-refeição, assistência-médica e aposentadoria.
Em São Paulo as manifestações começaram ao amanhecer. Na capital foi realizado um dos principais atos do dia, iniciado às 5h, na estação de metrô Corinthians-Itaquera. Representantes das centrais, lideranças dos metroviários, e dos motoristas e cobradores de ônibus promoveram um atraso de duas horas nas operações das linhas de metrô e de ônibus em toda a cidade, alertando a população sobre as conseqüências desastrosas da emenda para a classe trabalhadora.
No Rio Grande de Sul, cerca de 50 mil trabalhadores cruzaram os braços em protesto contra a emenda, com grandes atos em Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas.
Para Artur Henrique, presidente nacional da CUT, “a capacidade de nossa militância e das entidades filiadas à CUT em promover em pouco mais de 10 dias duas grandes mobilizações nacionais, não deixa dúvida do quanto a emenda 3 é indesejada pela classe trabalhadora. Através dessas mobilizações, estamos também furando o cerco que a imprensa tem imposto ao tema para confundir a opinião pública. Quando paralisamos e fazemos mobilizações de rua, estamos informando a população sobre o perigo representado por essa emenda criada por parlamentares. Dessa forma, ganhamos a adesão de trabalhadores, mesmo daqueles que não são sindicalizados. Outro dado importante é que a CUT, central mobilizadora por excelência, mostra por meio das paralisações que o povo na rua faz diferença”, ressalta.

 
Comitê do Itaú plano de saúde adia negociação
São Paulo - A reunião do comitê de acompanhamento do plano de saúde formado por representantes dos trabalhadores e da direção do Itaú foi adiada para o dia 8 de maio, terça-feira.
No encontro, os representantes dos bancários cobrarão qualidade no atendimento do plano de saúde e o banco se comprometeu a apresentar a pesquisa em que ouviu os funcionários.
 
Bancários entregam carta a ministro do Trabalho
São Paulo - Uma carta solicitando audiência para tratar do futuro dos 31 mil trabalhadores de Real ABN no Brasil foi entregue nesta terça-feira ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, pelos presidentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, e da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Vagner Freitas.
O documento foi entregue durante o seminário internacional Organização Sindical e Relações de Trabalho - A luta dos trabalhadores na Itália e no Brasil, realizado em São Paulo. Os presidentes relataram sua preocupação com os trabalhadores do ABN, especialmente no que se refere a demissões ou terceirizações da instituição financeira, caso a fusão entre o ABN Amro e o Barclays seja oficializada.
“ Os bancos não podem desrespeitar os funcionários. Precisam negociar com os representantes dos trabalhadores. Esperamos contar com o apoio do ministro do Trabalho para a construção de um acordo de trabalho que garanta ou estabeleça mecanismo de proteção ao emprego e aos direitos dos trabalhadores do Real ABN”, diz o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
Após receber a carta, o ministro se comprometeu a ajudar a construir um acordo junto ao banco que preserve os direitos dos trabalhadores.
Os bancários cobram do ABN o cumprimento das diretrizes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O Brasil é um dos signatários do documento do órgão que deve ser respeitado por empresas multinacionais em todo o mundo. Dentre as regras, estão o fornecimento aos representantes dos empregados de informações necessárias para negociações sobre condições de trabalho e sobre possíveis mudanças de atividades que possam ter conseqüência na renda de seus empregados, em particular, no caso de encerramento da empresa, acompanhado de dispensa ou demissão coletiva de empregados.
Fonte: Sindicato dos Bancários-SP
 
No Bradesco, bancários querem ser ouvidos

São Paulo - A implantação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCS) tem como principal objetivo criar mecanismos gerenciais para as questões relacionadas à remuneração e carreira profissional dentro de uma organização. Por se tratar de uma relação direta entre o funcionário e a empresa é imprescindível a participação da representação sindical. Isso é o que dizem especialistas em gestão de recursos humanos.
Por isso, o Sindicato está fazendo uma consulta para ouvir os funcionários do Bradesco, pois existem informações de que o banco irá mudar o PCS sem que os trabalhadores apresentem suas demandas. Na Cidade de Deus os funcionários já entregaram a consulta feita pelo Sindicato.
“A participação dos trabalhadores é fundamental, pois um plano dessa dimensão exige critérios claros, transparentes e deve ser fiscalizado pela entidade que representa os funcionários”, afirma a secretária-geral do Sindicato Juvândia Moreira. O Sindicato já constatou que há distorções de cargos e salários dentro do banco. “Essas diferenças salariais geram insatisfações. O PCS implantado no banco hoje é desconhecido pela maioria dos trabalhadores, portanto o Bradesco tem que levar em consideração a voz da categoria”, ressalta Juvândia.

 
Unibanco discrimina afastados
Não bastassem terem de se afastar de suas funções devido às condições inadequadas impostas pelo Unibanco, os bancários com doença ocupacional – LER/Dort, transtorno mental entre outras – não têm acesso ao financiamento para aquisição da casa própria e a uma recém criada linha de crédito com juros mais baixos destinados aos funcionários.
De acordo com o diretor do Sindicato e funcionário do Unibanco Carlos Damarindo, a desculpa usada pelo banco para não aprovar o financiamento e a linha de crédito é o não reconhecimento dos benefícios do INSS como renda.
O Sindicato está reivindicando que o Unibanco reveja essa política e trate esses trabalhadores com o respeito que merecem.
 
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