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Ano XIV Nº 232 1ª quinzena de Outubro 2007

Comando e Fenaban assinam acordo

Uma campanha em que a negociação rendeu frutos e, quando não rendeu, os trabalhadores foram à greve. Em 2007, os bancários demonstraram grande maturidade e inverteram a lógica da negociação dos últimos anos. As famosas rodadas em que os representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) diziam “não para tudo”, foram substituídas por reuniões, com quatro rodadas pré-agendadas, que só terminavam após esgotados os debates sobre cada tema. Ao todo foram 12 encontros realizados em apenas um mês e meio.
Assim, o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban assinaram na tarde do dia 11 de outubro a primeira Convenção Coletiva de Trabalho, em quatro anos, fruto somente de negociação, sem greve geral. O acordo aditivo com questões específicas também foi assinado com a direção do Banco do Brasil no dia 11.
A paralisação aconteceu apenas na Caixa Econômica Federal, uma vez que a direção do banco resistiu em apresentar propostas às reivindicações específicas. A greve foi encerrada após sete dias com a apresentação de uma nova proposta. E novamente graças à habilidade dos bancários, que insistiram em negociar e evitaram o ajuizamento do dissídio que a direção do banco queria impor. O acordo deve ser assinado ainda essa semana.

   
BNB: Bancários deflagram greve de 24 horas

Em assembléia realizada no Sindicato dos Bancários, na tarde do dia 15, os funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) deflagraram greve de 24 horas, no dia 16.
Os bancários pretendem pressionar a diretoria do banco a apresentar, na negociação, uma melhoria na proposta. O BNB é o único que ainda não fechou o acordo coletivo.
Enquanto nos bancos privados, na Caixa e no BB já tenha ocorrido acordo, no BNB a proposta dos funcionários continua indefinida. Um dos principais pontos é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O banco se recusa a aceitar o cumprimento do acordo firmado com a Fenaban.
Para a presidente do Sindicato dos Bancários, Marlúcia Paixão, os funcionários do BNB foram ao limite diante do descaso com que o banco tem lhes tratado. “Vamos fazer uma forte mobilização para que a diretoria faça uma proposta que satisfaça aos trabalhadores”.

Audiência no Senado discute tarifas e serviços bancárias
 

As diferenças de nomenclatura para serviços bancários e os preços cobrados a população serão debatidos no senado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). A audiência pública já foi agendada, e deve contar com a presença do presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Fábio Colletti Barbosa.
Os senadores devem solicitar também informações sobre disparidade de preços dos produtos e serviços que foram reajustados muito acima da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), segundo pesquisa do Procon, de São Paulo, com dez empresas: Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú, HSBC, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander Banespa e Unibanco.

 
Justiça reconhece vínculo no Bradesco

O concessionário Marcelo Lisboa atuou como vendedor de produtos bancários na agência do Bradesco de Bebedouro durante quatro anos. Durante todo esse período o banco ignorou os direitos trabalhistas como registro em carteira, férias, FGTS, 13º salário, entre outros. Para driblar a lei, o Bradesco fez o vendedor aceitar a condição de autônomo para poder trabalhar. “Quando estamos desempregados não temos muita opção. Temos que aceitar as condições impostas pelo banco que se aproveita da nossa situação”, afirma Marcelo.
Depois de ser dispensado, o concessionário entrou na Justiça do Trabalho que reconheceu o vínculo empregatício e condenou o banco a pagar todos os direitos trabalhistas. O Bradesco tentou recorrer da decisão, mas perdeu o prazo do recurso.
Marcelo faz um desabafo sobre como se sentia diante dos colegas bancários. “O banco muitas vezes ignorava coisas básicas para nós concessionários, como um lanche. Somente os bancários tinham direito. Me sentia humilhado”, revela. O vendedor alerta os colegas que estejam na mesma situação. “Não fiquem intimidados em recorrer à Justiça para buscar seus direitos”, ressalta.

 
Votação do relatório da Cassi começa dia 22
A votação do Relatório Anual de 2006 da Cassi está marcada para o período entre 22 e 26 de outubro. Tem direito a voto todos os titulares, seja ele da ativa ou aposentado.
Quem for da ativa vota pelo SisBB, sendo que quem estiver afastado ou em licença deve-se dirigir à respectiva agência para obter uma nova senha. Já os aposentados votam pelo telefone 0800 729 0808. Quem aderiu ao Plano de Aposentadoria Antecipada (PAA), deve votar pelo 0800 da Previ mesmo se estiver na ativa.
O relatório será enviado para a casa de todos os associados com todas as demonstrações contábeis, a análise econômico-financeira, os pareceres dos Conselhos Deliberativo e Fiscal e dos auditores independentes. A publicação mostra ainda os principais programas e ações da Cassi no ano passado.
Fonte: Bancários-SP
 
Itaú confirma PCR para todos
A notícia divulgada pela Folha Bancária e pelo site do Sindicato foi confirmada pelo departamento de recursos humanos do Itaú, no dia 5: o PCR é direito de todos os bancários.
Os funcionários desligados, os que pediram demissão, os afastados por doença ocupacional e os lesionados eram informados pela central de RH do banco que não tinham direito ao Programa Complementar de Remuneração. Mas todos têm, mesmo quem trabalhou somente um dia desse ano.
O banco informou que vai reorientar os atendentes da central. “O importante é que a informação foi corrigida pela direção do Itaú e que os trabalhadores terão seu direito respeitado”, afirma a funcionária do banco e diretora do Sindicato Ana Tércia Sanches.

Fonte: Bancários-SP

 
Julgamento da venda do ABN

Amparada pela decisão do Tribunal Regional Federal, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) tem, agora, a competência para decidir sobre fusões no sistema financeiro. O primeiro julgamento será sobre a compra do ABN Amro Real pelo Santander.
A princípio, o CADE analisaria apenas a parte não financeira da transação, procedimento mais rápido e que apresenta menos problemas. Com a solicitação do envio das informações financeiras do negócio, entregues ao Banco Central, o julgamento passa a discutir de forma mais abrangente a fusão. O Santander e o ABN devem enviar toda a documentação em, no máximo, 30 dias. Caso não cumpram o prazo estabelecido, vão ter de pagar multa diária de R$ 5 mil.

 
ARTIGO: Vitória para os bancários da Caixa, conquistas para a sociedade. Por Arilson da Silva
Vitoriosos. Esta é a avaliação que fazemos dos sete dias de paralisação dos bancários da Caixa Econômica Federal. Mais que isso: mostramos que ainda é possível fazer valer o direito dos trabalhadores mesmo sob ameaças de se atropelar a democracia, representada pela negociação e pela diplomacia.
Num ato totalmente ditatorial e semelhante à era FHC, a direção do banco mostrou-se intransigente com os trabalhadores, com a ameaça de levar a decisão sobre a legalidade da greve ao Tribunal Superior do Trabalho.
E ainda assim, os trabalhadores foram à luta. Mesmo depois de anunciada essa decisão, a greve avançou em todo país e atingiu 80% dos locais de trabalho. Departamentos internos da Caixa também passaram a aderir ao movimento. Em Mato Grosso, os 32 locais de trabalho da Caixa ligados ao Sindicato dos Bancários no Estado de Mato Grosso (Seeb/MT) cruzaram os braços numa demonstração de coragem, força e de repúdio à atitude da direção da CEF. A nossa força mostrou que somos capazes de negociar mesmo ameaçados. Diante da nossa luta, a direção recuou.
A Caixa é um banco oficial e de forte apelo social, já que administra os benefícios concedidos pelo Governo Federal à população carente, devendo estar sempre ao lado dos interesses da sociedade.
Por isso, uma das grandes conquistas foi o compromisso de contratar três mil novos funcionários, que já aguardam na lista de espera do último concurso realizado pela Caixa, e ainda, a garantia de realização de um novo concurso público em 2008, pontos estes, presentes desde o início na pauta de negociação com a direção do banco. Na camiseta utilizada nesta campanha salarial lia-se: "Mais empregados para a Caixa, mais Caixa para o Brasil". Este é o nosso compromisso diante da necessidade de melhorar o atendimento bancário e oferecer dignidade à população.
Além disso, não consideramos justa a lucratividade do banco no primeiro semestre deste ano, que foi 30% maior que os lucros alcançados no mesmo período no ano passado, e que mesmo frente a isso, a Caixa não queria pagar uma Participação nos Lucros e Resultados decente aos seus empregados.
A propósito: os bancos em geral vêm lucrando indiscriminadamente à custa do sofrimento e do suor dos trabalhadores. Em menos de 15 anos o número de bancários foi reduzido de mais de 1 milhão, para pouco mais de 400 mil em todo o país, ao passo que, somente em se tratando de contas correntes, esse número triplicou dentro dos bancos.
Garantimos o atendimento aos aposentados, pensionistas e beneficiários sociais mantendo as salas de auto-atendimento abertas durante os primeiros dias de greve, o que culminou com os dias de pagamento dessa parcela da população. Antes de se chegar à decisão de greve, passamos por várias rodadas de negociação iniciadas ainda no mês de agosto. A paralisação das atividades é a última instância a qual recorremos; nosso último instrumento de luta, que por sua vez é também legítimo.
Felizmente, saímos vitoriosos. Acreditamos na força dos trabalhadores. Foram eles que garantiram a toda categoria a manutenção dos direitos, sem retrocesso. Aos que perderam as esperanças no meio do caminho, fica a lição: juntos, somos uma categoria e como tal, merecemos respeito e dignidade!
*Arilson Silva é bacharel em Ciências Contábeis e em Comunicação Social pela UFMT e presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Mato Grosso
 
 
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