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Ano XIV Nº 256 2 ª quinzena de Janeiro 2009

Atentado contra a liberdade sindical no BB

A administração local do Banco do Brasil, ag. Ilhéus, resolveu instituir o costume de perseguir dirigentes sindicais que testemunham na Justiça do Trabalho em defesa dos direitos dos trabalhadores.
Primeiro, logo no início da gestão do atual gerente Lael Carneiro, retirou o cargo comissionado do dirigente sindical Sílvio Reis por ele ter declarado em Processo Trabalhista contra o Banco o que sempre foi público e notório, que funcionários do BB extrapolam a jornada de trabalho sem o devido registro e pagamento das horas-extras.
Agora “cortou o ponto” do dirigente Rodrigo Cardoso que previamente havia comunicado que estaria à disposição da Justiça do Trabalho como testemunha de outro empregado do Banco em outra ação trabalhista.
Quando procurado por Rodrigo, o gerente Adervan alegou que a declaração da Justiça do Trabalho não seria suficiente para justificar o atraso na chegada do funcionário, ignorando as normas internas e a legislação nacional, e acrescentou com a entrega de um Pedido de Informações, ato inicial de um processo disciplinar interno.
O Sindicato repudia tais atitudes que atentam contra a liberdade sindical e não condiz com o respeito mútuo que deve nortear as relações entre a administração da agência e a representação sindical dos trabalhadores.
“Todos os integrantes da diretoria da entidade tem o direito de representação da categoria bancária e da liberdade sindical em plena atividade durante o período de sua gestão para qual foi eleito. É lamentável ressaltar que um dirigente sindical, em plena democracia de um governo do trabalhador, venha sofrer qualquer tipo de perseguição por um 'colega de trabalho'”, segundo Norma, diretora do Sindicato dos Bancários de Ilhéus.
O setor jurídico do sindicato esta tomando as devidas providências sobre o caso.
Seebilhéus - imprensa.

   
Cresce número de acidentes de trabalho

No Brasil, de acordo com o Ministério da Previdência Social, os dados são alarmantes, principalmente entre a categoria bancária. Em 2007, foram 653.090 ocorrências de acidentes de trabalho contra as 512.232 registradas em 2006, aumento de mais de 140 mil casos no país.
A maioria é de LER/Dort, mais comum entre os bancários e maior responsável pelos longos afastamentos dos empregados. Em 2006 foram 9 mil registros, mas, em 2007, o número saltou para 22 mil. Outro problema relacionado à categoria bancária é o indício de depressão, que atingiu cerca de 3.560 trabalhadores em 2007, enquanto em 2006 não houve registro. Sem contar com os casos de estresse que aumentaram em mais de 2.100 de um ano para outro.
Mas, isso poderia ser evitado se as empresas valorizassem a saúde do trabalhador, investissem em segurança do trabalho e criassem políticas para adoecer menos os empregados, como programas de prevenção a doenças ocupacionais e pausas durante a jornada.

Notícias Rápidas
 

Caixa lidera em ações no TST

No levantamento de processos em tramitação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), a Caixa ficou em segundo lugar, perdendo apenas para a União. Se comparado com organizações financeiras, o banco lidera o ranking com folga. São 10.495 processos da Caixa, contra 6.467 do Banco do Brasil, o terceiro colocado da lista do TST. O Bradesco tem 3.574 processos, ficando em 11º lugar.
A jornada de trabalho e os serviços terceirizados ficam dentre as reclamações trabalhistas mais freqüentes contra a Caixa.

Ranking das queixas no BC

De acordo com o Banco Central, o HSBC e o Santander lideraram o ranking de reclamações em 2008. O HSBC liderou o topo do ranking por nove meses. O Santander apareceu na lista em 10 meses, na maioria figurando no segundo lugar. Em dezembro, o primeiro lugar foi para o banco IBI, seguido do HSBC, Nossa Caixa, Santander e Real.
Os líderes em reclamações também lideraram em demissões durante o ano e, em especial, no mês de janeiro. Tal comportamento justifica o contingente de reclamações. Com poucos funcionários, o resultado é a sobrecarga de trabalho, que gera adoecimento da categoria e insatisfação dos clientes.

Juros: 43,2% ao ano

O sistema financeiro brasileiro continua negligenciando a crise financeira internacional, que tem provocado retração de mercado e desemprego em todo o mundo. A taxa média de juros bancários terminou 2008 em 43,2% ao ano, 9,4% superior ao ano anterior. O percentual corresponde à média das taxas cobradas em operações prefixadas, pós-fixadas e flutuantes, com pessoas físicas e jurídicas.
Em relação somente às operações prefixadas, a taxa registrou declínio de 0,9 ponto percentual, ficando em 52,9% no fechamento de 2008. A taxa média, para pessoa jurídica, teve queda de 0,6 ponto percentual, encerrando 2008 em 30,7%. Para pessoa física, os juros diminuíram 0,2 ponto percentual e ficaram na casa dos 58% ao ano.
Outra taxa que apresentou queda foi a de captação, que, com redução de 1,2 ponto percentual, ficando em 12,6%. O spread, ao contrário, subiu 0,5 ponto percentual, passando de 30,1%, em novembro, para 30,6%.

 

 

Fórum Social Mundial

O que sempre foi a marca do Fórum Social Mundial – unidade na diversidade –, mais uma vez está presente no evento. Pelas ruas da cidade de Belém e principalmente nos territórios do FSM que se concentram nos campings das universidades federais (UFPA e UFRA), circulam com desenvoltura cidadãos e cidadãs do mundo.
Países, idiomas, etnias, religiões, culturas, as mais diversas, convivem com o objetivo comum de fazer um novo mundo possível.

Seminários discutem crise

Sob o tema Crise capitalista, trabalho e desenvolvimento, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), junto à FSM (Federação Sindical Mundial) promoveram mais um seminário para discutir saídas para a crise financeira internacional, na UFPA (Universidade Federal do Pará).
Outro evento que discutiu sobre a crise foi o seminário da FMG (Fundação Maurício Grabois) de tema A crise do capitalismo e a nova luta pelo socialismo, do qual participaram organizações políticas e partidos de esquerda de diversos países do mundo, como Brasil, Índia, Argentina, Peru, Vietnã, Itália, Espanha, Portugal, Uruguai e Colômbia.

Salário mínimo

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, anunciou no dia 30, no Rio de Janeiro, o novo valor do salário mínimo, que entra em vigor no início de fevereiro.
Mesmo com o corte provisório de R$ 37,2 bilhões do Orçamento Geral da União deste ano, o governo decidiu manter o aumento previsto para o mínimo, que passará de R$ 415 para R$ 465, segundo informou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no último dia 27, quando anunciou o corte.
Em abril de 2003, primeiro ano do governo Lula, o salário mínimo passou de R$ 200 para R$ 240. Em maio de 2004, subiu para R$ 260 e, em maio de 2005, para R$ 300. Em abril de 2006, o novo valor nominal foi de R$ 350. No mesmo mês do ano seguinte, o mínimo passou para R$ 380 e, em 2008, para os atuais R$ 415. Em seis anos, a evolução foi de cerca de 72%.

Desigualdade Social

Em parceria com estados e municípios, o governo federal lançará em março pactos, com metas, nas cinco regiões brasileiras para acelerar a redução de desigualdades sociais no país.
O anúncio foi feito pelo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, na abertura da reunião entre ministros e governadores do Norte e Nordeste.
No encontro, que reúne 17 governadores, no Palácio do Planalto, estão sendo discutidas estratégias de atuação integrada para reduzir o analfabetismo, a mortalidade infantil, acabar com o sub-registro civil e fortalecer as ações na agricultura familiar.

 

Mais 1,3 milhão no Bolsa Família

A inclusão de mais 1,3 milhão de famílias no Programa Bolsa Família deve acontecer este ano. A decisão foi tomada pelo presidente Lula em reunião com os ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Fazenda e do Planejamento.
O benefício deve aumentar para R$ 137,00 o limite de renda mensal per capita dos beneficiados. Com isso, o governo deve gastar R$ 12,3 bilhões.
A inclusão será gradativa: 300 mil pessoas em maio, 500 mil em agosto e 500 mil outubro. O valor do benefício pago não será alterado.

Mais de 963 milhões com fome

De acordo com o diretor da FAO, o braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para Alimentação e Agricultura, Jacques Diouf, o indicador de pessoas que passam fome no mundo aumentou no ano passado. O número subiu para 963 milhões, ante os 832 milhões registrados em 2007.
Esta semana ocorreu reunião sobre segurança alimentar 2009 em Madri, aberta por Diouf. Dentre outros eventos houve o anúncio de uma nova meta mundial de combate à fome. A secretaria de Estado americana, Hillary Clinton, enviou uma mensagem gravada à abertura defendendo o multilateralismo nas políticas para acabar com a fome no mundo. Na oportunidade, os preços altos dos alimentos foram criticados.
O encontro terminou com a promessa de recursos de US$ 22 bilhões, valor considerado baixo por alguns presentes. O diretor do órgão anunciou a intenção de uma nova cúpula mundial em 2009, desta vez, com a participação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

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